Você ganha mais hoje do que ganhava cinco anos atrás. Mesmo assim, todo mês sua renda parece sumir antes do dia 25. Esse é o sintoma da perda do poder de compra.
Se você pensou que a culpa é da situação econômica, não está no caminho errado. Porém, esse efeito também é causado, em grande parte, por uma “miragem” fabricada pelo seu cérebro.
É como uma Fata Morgana, já ouviu falar? Ela é real, mas “não existe”.
É uma ilusão, mas você consegue fotografar. Parece impossível, mas acontece todos os dias em vários lugares do mundo.
Fata Morgana é uma miragem que faz navios parecerem flutuando e ilhas aparecerem duplicadas acima das nuvens. Pura física.

Agora imagine uma miragem que foi feita especificamente para você. Uma que conhece seus desejos, seus medos, suas fraquezas.
Bem, essa miragem existe. E pra saber se você está dentro dela agora, responda a essa questão:
Você tem a sensação de que sua renda está diminuindo ano após ano, mesmo ganhando mais e trabalhando mais? E se eu te disser que está todo mundo nesse mesmo barco?
Isso está acontecendo e tem muita gente falando sobre esse fenômeno chamado perda do poder de compra. Por outro lado, vejo poucas pessoas abordando o motivo real e científico por trás dessa distorção.
Por isso, vamos olhar os números antes do diagnóstico.
As estatísticas não mentem
Primeiro, pega esse dado frio: o PNAD Contínua mostra que o rendimento médio do brasileiro hoje é de R$ 3.367. Este é o maior patamar da série histórica.
Na mesma linha, a pobreza caiu 23% em 2024, o menor nível já registrado.
Agora, outro dado: em 2014, apenas metade da população tinha internet. Hoje, mais de 90% dos brasileiros têm internet em casa.
Quando você olha para as últimas décadas, os dados sobre pobreza e qualidade de vida no Brasil mostram melhora em vários aspectos. É verdade que há quedas pontuais, mas a tendência é de evolução.
Anatomia da perda do poder de compra
Então por que temos essa sensação de que estamos indo cada vez mais para o fundo do poço?
Você pode culpar:
- – os juros
- – o custo de vida alto
- – o endividamento crescente das famílias
Tudo isso influencia, é verdade. De fato, é impossível desassociar a situação econômica da perda do poder de compra do brasileiro.
Mesmo assim, precisamos considerar que o rendimento real aumentou. Então o problema não é só econômico, concorda?
Essa questão também tem fundo psicológico. E quem diz isso é a ciência.
A teoria da posição relativa
O que mudou de verdade é a referência que você tem sobre o que é viver bem. E foi em cima disso que o economista Robert Frank formulou a teoria da posição relativa.
Ela diz que o nosso nível de satisfação não vem do quanto a gente ganha em termos absolutos, mas da comparação com quem está à nossa volta.
E faz sentido, porque nos anos 1990, a régua de comparação era com o padrão do vizinho, com o colega de serviço, com o cunhado que tinha um carro melhor. A régua era local!

Hoje, você acorda comparando a sua vida com a da Virgínia, com o empresário andando de jatinho particular, com o jogador de futebol exibindo relógios de ouro e carros de luxo no seu feed.
Você deixou de se comparar com o bairro e começou a se comparar, muitas vezes, com o 0,1% mais rico do planeta. Isso é absurdo.
E quem entrega esse padrão inalcançável, todos os dias, é o algoritmo das redes sociais.
O efeito direto no bolso
E o que isso faz com o seu bolso? Você ganhou mais, sim, mas passou a desejar uma vida 15 vezes mais cara.
Para ter a sensação de sucesso que a vida simples não te traz mais, você:
- Entra num financiamento longo;
- Se enterra no rotativo do cartão;
- Parcela celular, roupas e viagens a perder de vista…
E aí não sobra nada para fazer um investimento concreto que traga alguma evolução ou algum crescimento real para sua vida.
Por isso, você termina o mês com a sensação de que regrediu, que sua renda está cada vez menor. Mas na verdade são os seus desejos que estão completamente inflacionados.
E agora você sente que precisa ter cada vez mais para ser feliz.
Mas como fazer para remover essa miragem?
Solução para a perda do poder de compra
Em primeiro lugar, você precisa devolver essa régua para dentro da sua casa; para dentro da sua vida.
Compare o seu patrimônio de hoje com o seu de cinco anos atrás. Além disso, compare a sua parcela com a sua renda, e não com a casa do influencer.
Pare de medir a evolução dos outros e comece a medir a sua. Ou seja, compare a sua vida apenas com as suas conquistas.
E se eu puder te dar um conselho de amigo: pare imediatamente de seguir influenciadores que só ostentam nas redes.
A perda do seu poder de compra nem sempre começa no preço das coisas. Às vezes, o problema está na régua que você usa para medir a própria vida.
Enquanto essa régua estiver fora do lugar, nenhuma renda vai parecer suficiente. Então volte a olhar para dentro.
Se você entendeu que o seu poder de compra é afetado por percepções e efeitos psicológicos, o que acha de saber mais sobre o ‘Chip de Pobre’ que implantaram em você?


