Se passou pela sua cabeça fazer um consórcio, isso é perfeitamente compreensível. Afinal, comprar um imóvel no Brasil virou um teste de resistência.
O financiamento está cada vez mais difícil, principalmente para imóveis de médio padrão. Já reparou que quase ninguém mais consegue financiar fora do Minha Casa Minha Vida? Pois é…
E com a Selic em 15%, o valor do imóvel sobe, as parcelas aumentam, as exigências de renda ficam mais inalcançáveis e o sonho da casa própria vai ficando, ano a ano, mais distante para a maioria das pessoas.
E o pior é que essa conta parece cada vez mais surreal, até quando o Jornal Nacional anuncia que os juros vão cair no próximo ano. Boa notícia? Ainda não…
Mesmo que haja previsão de queda da Selic para 12% em 2026, de acordo com o boletim Focus divulgado pelo Banco Central, continuaremos com uma taxa de juros de 2 dígitos por um bom tempo.
É nesse cenário que o consórcio volta aos holofotes do mercado.
Mas será que ainda vale a pena fazer um consórcio em 2026? Ou será que é melhor ir pelo caminho do financiamento imobiliário?
É isso que eu vou te mostrar, de maneira totalmente imparcial, a partir de agora.
Mas primeiro: o que é o consórcio, afinal?
Para a maioria das pessoas, a palavra “consórcio” ainda soa como uma poupança forçada. Para ser justo, essa percepção não está errada.
O consórcio é uma forma de compra planejada em grupo, onde várias pessoas contribuem mensalmente para formar um fundo comum.
Deste modo, a cada mês, uma ou mais delas são contempladas e recebem uma carta de crédito para adquirir o bem desejado.
E o melhor de tudo: é um modelo sem juros e com parcelas menores, com taxa de administração bastante inferior aos juros do financiamento.
Ou seja, o consórcio também é ideal para quem quer investir com planejamento, impactando o mínimo possível o orçamento.
Sendo assim, ao fazer um consórcio, você usa uma ferramenta inteligente para adquirir bens, investir em renda passiva ou até lucrar investindo em cotas para vender depois da contemplação.
A evolução do consórcio em números
Esse sistema evoluiu, e os números provam que o mercado percebeu isso. Só em setembro de 2025, segundo a ABAC, o consórcio ultrapassou os 12 milhões de participantes. E quando se fala em consórcio imobiliário, são mais de 2 milhões e meio de consorciados ativos.
Por outro lado, a mudança real não se vê só nos números, e sim na evolução do produto. Com as administradoras independentes se consolidando ao longo das últimas décadas, chegando a fazer frente com os bancos, muita coisa mudou.
Para você ter uma ideia, em 1996, quando o consórcio de imóvel surgiu por meio da circular 2716 do Banco Central, os grupos formados tinham poucos diferenciais, era só o “papai e mamãe”:
- – Contemplações por sorteio
- – Grupos com poucos participantes.
- – Prazos curtos
Após 2008, com a chegada da Lei 11.795/2008, que é a própria Lei dos consórcios, o segmento ficou muito mais seguro, com regras mais claras para os consorciados e para as administradoras.
E isso permitiu que as empresas desenvolvessem políticas comerciais muito mais vantajosas, inclusive impulsionadas pela concorrência e crescimento do mercado.
Atualmente, existem grupos dos mais variados. Com números diferentes de participantes, faixas de crédito que podem chegar até 2 milhões em uma única cota, parcelas reduzidas até a contemplação, contemplação por sorteio e lance, com lance embutido, lance livre, lances limitados, lances fixos, lances retidos, lances fidelidade…
Em outras palavras, o negócio deixou de ser só “feijão com arroz”.
Fazer um consórcio imobiliário é vantajoso para mim?
Essa resposta é muito individual, pois exige uma análise de variáveis que vão além dos números. É preciso avaliar seu:
- – Objetivo
- – Contexto
- – Momento de vida
- – Orçamento
E isso não é tão simples quanto parece.
Falando sobre objetivos, existem algumas maneiras de usar o consórcio imobiliário. Se você está com alguma delas em mente, as explicações abaixo vão te ajudar:
1. Conquistar o imóvel próprio
Imagine a seguinte situação:
Um casal decide fazer um consórcio para sair do aluguel. Eles conseguiram juntar R$ 100 mil de FGTS e querem usar como entrada para a compra de um apartamento de R$ 500 mil. Ou seja, eles vão financiar R$ 400 mil.
Veja o cenário: moram em uma cidade grande, tem um filho pequeno, uma renda familiar de R$ 10 mil, pagam aluguel de R$ 3 mil, escola, plano de saúde, alimentação, parcela do carro, seguro, combustível… Opa! E lá se foram os R$ 10 mil…
Agora, como esse casal vai conseguir conciliar o aluguel com a parcela de um consórcio? Para essa família, talvez seja mais viável avaliar a compra do imóvel pelo recém-lançado faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida.
Por outro lado, vamos supor que esse casal tenha uma renda de R$ 25 mil reais por mês e o desejo de comprar um imóvel de R$ 1 milhão. Neste caso, se tiver espaço no orçamento, planejar com um consórcio pode ser mais vantajoso.
Por quê? Porque nessa faixa de valor, o financiamento imobiliário tem taxas muito mais altas. E ainda é preciso considerar as parcelas, que também são maiores.
Pra você ter ideia, hoje em dia, a parcela inicial de um financiamento desses já parte de cerca de R$ 10 mil em 420 meses.
Já em um consórcio de R$ 1 milhão, a parcela média cai pra 5 mil em 240 meses.
Mas consórcio não é só casa própria…
2. Gerar renda passiva com aluguel
Muita gente compra imóvel com o objetivo de alugar e gerar um dinheiro extra. Na verdade, ao fazer um consórcio, você também tem acesso a excelentes estratégias para renda passiva.
E aqui ele se mostra quase sempre mais vantajoso que o financiamento, porque envolve estratégias de médio e longo prazo.
Nesse sentido, imagine que você fez um consórcio e foi contemplado com 40% do plano pago. Você compra um imóvel por 40% do valor e o restante das parcelas são pagas com o próprio rendimento do aluguel.
Sendo assim, a cada contemplação, você repete o processo, e em 20 anos dá para ter um patrimônio considerável gerando renda passiva.
Na Redesul, chamamos isso de CIP-RP, o Consórcio de Investimento Patrimonial para geração de Renda Passiva.
Se você quer saber como fazer um consórcio usando esse método, no conteúdo abaixo eu mostro um estudo de caso real de um cliente meu:
3. Alavancagem de Capital e Investimento
Já deu pra notar que o consórcio de imóvel é bastante flexível. Mas ele vai além…
Tem também quem use esse sistema como uma forma de investir e lucrar vendendo o consórcio com um excelente ágio após a contemplação. Isso garante lucros acima da média e com zero chance de perder dinheiro.
Para isso, existem estratégias na hora de escolher o melhor grupo e prever o melhor momento de contemplação. Quer saber mais sobre isso? Eu gravei um conteúdo explicando tudo. Veja aqui:
Quais as vantagens de fazer um consórcio?
O consórcio apresenta muitos benefícios além da questão do custo efetivo:
- – Permite o aumento de patrimônio de forma planejada, investindo pequenas quantias mensais;
- – Acesso ao mercado de consumo de bens e serviços em períodos de escassez de crédito;
- – Ajuda a manter a disciplina de aplicação para formação de poupança individual futura.
- – Garante um aporte contínuo de recursos pensando na sua aposentadoria
E mais um detalhe: diferente do que a maioria pensa, ao fazer um consórcio, você compra um bem de forma mais rápida do que poupando mês a mês para comprar à vista.
Lembre-se: você pode ser contemplado desde a primeira parcela do plano!
Além disso, o seu poder de compra é preservado, já que o crédito é corrigido pelo índice de preços (INCC) e isso protege o seu dinheiro da inflação.
Quer mais?
- – Não tem taxas de desempenho, como ocorre em investimentos que têm como meta bater um determinado índice de referência como o CDI.
- – Não há risco de perda de capital, inerentes a outras aplicações, como ações, fundos de investimento, criptomoedas.
Conclusão: enquanto o financiamento tem se tornado um caminho cada vez mais pesado e distante dos planos de muita gente, fazer um consórcio pode ser a única forma de tornar a conquista possível.
Então, voltando à pergunta inicial:
Vale a pena fazer um consórcio em 2026?
A resposta é sim, mas não para todos. Vale a pena para quem:
- Busca economia real, seja com um planejamento mais longo ou com contemplação acelerada por lance.
- Tem disciplina financeira e consegue honrar as parcelas mês a mês.
- Entende que o consórcio não é uma corrida, mas sim uma estratégia de médio a longo prazo.
- E vale a pena especialmente para quem não consegue mais acessar o financiamento tradicional, que ficou cada vez mais restritivo e caro.
Além disso, a grande vantagem do consórcio é justamente a flexibilidade: você escolhe o ritmo. E também escolhe o objetivo.
- Tem capital para um lance robusto? Contempla mais rápido.
- Prefere investir em parcelas menores e aguardar? O tempo trabalha a seu favor, com o crédito sendo corrigido e acompanhando a valorização do mercado.
Por outro lado, mesmo com todas essas vantagens do consórcio, isso não significa que o financiamento é o grande vilão dessa história.
Isso porque, para muitas pessoas, ele ainda é o que garante a compra de um imóvel com mais agilidade, até para sair logo do aluguel.
Na verdade, o que você precisa fazer é sentar e calcular o que faz mais sentido para você agora. E, claro, sempre contando com o auxílio de um especialista.
No fim das contas, o que 2026 mostra é que o consórcio deixou de ser o ‘primo pobre’ do crédito imobiliário.
Em outras palavras, ele se tornou uma alternativa sofisticada, flexível e economicamente inteligente para quem entendeu algo importante: economia real vem de planejamento, não de pressa.
A escolha, como sempre, é sua.
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